Os tempos eram difíceis para todos. Uma caravana indo de Megas Drapenon para Pheníxia, apesar dos lucros que poderia ganhar,
enfrentava perigos que por vezes tornava a jornada totalmente improdutiva. Contudo, outros Refúgios estavam no caminho das duas
cidades. Eram as "gemas", como alguns gostavam de chamar os pequenos Refúgios no meio do deserto.
"Senhor Castanilho! Quanto queres por estes Tuaregues?" - perguntou Johan, o caravaneiro.
"Vinte e cinco peças de Lumenos, senhor." - respondeu Castanilho.
"Não acha que é muito?" - replicou Johan.
"Até acho, senhor. Mas Empressaro
Glenwood não irá vendê-los por menos do que isso, ou então ele leva um pedaço do
meu couro como pagamento!" - respondeu Castanilho, explicando-se.
"Hum, se ele vivesse em Megas... Bom, mas não adianta falar de assuntos que não me pertecem. Vá até ele e diga que estou indo à Dalai.
Se ele quiser vender seus Tuaregues, diga que eu irei lhe trazer cem Boisseaus
de maçãs verdes. Acho que isso deve interessar
o velhote!" - riu Johan. Ele sabia que era uma aposta boa, vender maças em troca de um Tuaregue.
"Falarei com ele, senhor Johan, mas não sei se ele irá aceitar apenas cem. Se oferecesse cento e doze..." - disse Castanilho.
Ele era um bom negociante, isto era claro. E era mais claro ainda que ele estava levando uma porcentagem deste negócio. Ah, se
eles estivessem em Pheníxia... Johan conseguiria negociar muito mais facilmente! Infelizmente, ele TINHA que conseguir um Tuaregue, senão
seu contratante não iria pagá-lo.
É, os outros refúgios tinham seu charme, mas tinham também vários empecílhos que ele não encontrava nas cidades grandes!
Os Refúgios de Megas Drapenon e Pheníxia são, sem dúvida, os maiores de Khenart. Entretanto, eles não são os únicos
conhecidos. Refúgios menores, com domos cristalinos mais frágeis ou até mesmo SEM domos cristalinos também existem,
sobrevivendo no meio do deserto como oásis resistentes, enfrentando as mesmas criaturas terríveis que habitam a natureza
de Khenart e lutando contra os mesmos problemas dos demais Refúgios. Claro que nesses lugares a vida é melhor, pois
há menos conflitos, há menos problemas e há mais espaço para todos. Ou pelo menos isso é o que se esperaria de
"cidades pequenas"...
A realidade, contudo, é outra. Em Hammerfest, as pessoas são oprimidas pelos Guardas Artífices, dotados de estranhas
e poderosas
Luvas de Iawë, capazes de emitir raios mortais... Em Glenwood, Perdinazes conseguiram chegar até a
posição de Artífices, apesar de viverem no subterrâneo pela falta de domos cristalinos para protegê-los... E em Dalai,
uma estranha "Guarda Oculta" mantém a lei e a ordem através do sumiço daqueles que se opõe às famílias dominantes...
População: 5.000 habitantes
Localização - Norte de Phenixia, cerca de 21 dias à pé.
Descrição: Hammerfest é uma cidade onde os Perdinazes e Artífices vivem em certa harmonia, ainda que os últimos
sejam os líderes da comunidade. Vivendo basicamente da extração de minérios (que é feita automaticamente pelo Grande
Maquinário) e da criação de animais, existe muita pouca desigualdade social no Refúgio, pois a produção do Grande
Maquinário é dividida entre os Artífices e Perdinazes. Claro, os Plebeus sofrem bastante com isto, mas poucos são os
que reclamam abertamente.
Uma grande diferença entre Hammerfest e outros Refúgios é sua guarda, que é realmente muito pequena. O motivo é
simples - eles utilizam uma luva mágica, encontrada no local ainda na época da criação do Refúgio, que é capaz de
lançar uma rajada de luz extremamente poderosa. Ninguém jamais sobreviveu a uma confrontação para dizer qualquer
coisa...
Histórico: Hammerfest foi fundado no ano de 112 D.G., por um grupo de Artífices e Perdinazes que vieram de Pheníxia.
A cidade originalmente era uma Guarida perdida no meio do deserto, mas, com o trabalho duro dos Artífices, que conseguiram
reativar o Grande Maquinário do local, ela passou a ser um poderoso Refúgio. Seu Domo Cristalino foi construído em 125 D.G.,
após um sério conflito entre os Perdinazes e os Artífices, que lutaram pelo controle do lugar, sendo que, obviamente, os
Artífices venceram.
Personalidades: Talith Mikra Tanak - 65 anos, líder da comunidade, e líder de uma das três famílias de Artífices do Refúgio,
o ancião é uma pessoa dócil, que costuma ser cortês com todos, principalmente com Abrahan Leikon, Mestre Perdinaz da cidade.
Abrahan Leikon - Mestre Perdinaz de Hammerfest, considerado o líder do Refúgio ao lado do Talith Tanak.
População: 3.000 habitantes
Localização - A cidade localiza-se à Leste de Phenixia, aproximadamente 25 dias de viagem.
Descrição: Dalai é uma cidade pequena, com um Domo de Cristal diferenciado - além do tradicional complexo
cristalino, existem centenas de arcos de aço pintados segurando o cristal em seu lugar, de modo que as folhas que a
compões são individuais, e podem ser reparadas em caso de necessidade. Contam as histórias que após a grande guerra,
haviam quase uma dúzia de Refúgios, mas eles foram destruídos pelo fato de não terem a capacidade de reparar seus domos.
Ninguém confirma ou nega esta história, mas é sabido que já foi necessário reparar o Domo de Dalai mais de uma vez nos
últimos cem anos, coisa que não aconteceu com domos maiores, como os de Phenixia e de Megas Drapenon.
Basicamente Dalai vive de sua produção de alimento, que é suficiente para sustentar mais de dez vezes sua população,
graças à terra fértil e estufas eficientes do local. Praticamente só existem artífices neste pequeno Refúgio, e a
população de Plebeus e Perdinazes não parece nem um pouco insatisfeita com isso. O motivo, contudo, é escondido dos
visitantes do Refúgio - os Artífices de Dalai possuem um estranho Guardião, chamado "Eco 1", que faz "desaparecer"
todos que ameaçam o poder, ou mesmo dirigem palavras ásperas contra os Artífices.
Este é o único Refúgio completamente iluminado, mas ninguém sabe como a luz é mantida artificialmente. Todos,
contudo, atribuem isso à um antigo encantamento artífice. O Maquinário desta cidade funciona completamente sozinho,
necessitando de poucos Plebeus apenas para alimentar o Coletor de Carvão esporadicamente.
Histórico: A história de Dalai é tão antiga quanto a dos demais Refúgios. Sabe-se que, originalmente, haviam apenas
Artífices no Refúgio, que mantinham o local em paz e harmonia. Contudo, sabe-se também que, pouco tempo após ter sido fundado,
o Domo de Dalai foi danificado. Os Artífices do local então desenvolveram um engenhoso projeto, e colocaram em operação
com a ajuda de operários de outras cidades. O sistema funciona até hoje, sendo ocasionalmente danificado, mas facilmente
reparado com o uso do Grande Maquinário.
Personalidades: Talith Hebracon John - Um homem jovem, com pouco mais de 29 anos, é o Talith de Dalai. É um homem
reservado, que raramente explica suas razões, mas consegue manter o Refúgio funcionando perfeitamente.
População: 4.000 habitantes
Localização - Sul de Phenixia, 15 dias à pé.
Descrição: Glenwood é o único refúgio conhecido que não conta com um Domo Cristalino, que foi destruído há muito tempo
e nunca foi reparado, devido a falta de um Grande Maquinário no local. De fato, além disto, a família de Artífices que
comanda o Refúgio é, na verdade, uma família de Perdinazes que foram elevados ao poder de Artífice em 80 D.G.
Apesar de não contar com um Grande Maquinário, a família Glenwood é proprietária de um estranho artefato, que acreditam-se
ser um Golem, responsável pela construção de casas e do preparo dos campos da cidade. Além disso, gigantescos campos e plantações
percorrem o exterior da Guarida, que é usada apenas como armazém. Estes campos são cercados por redes de segurança energizadas
com Energia Galvânica, mantendo animais (e visitantes não-autorizados) longe da cidade.
Histórico: A história de Glenwood é bem curiosa e sua formatação difere bastante dos outros Refúgios.
Após a grande guerra uma rica família Perdinaz construiu um refúgio próprio e lá foi morar. A família Glenwood era
composta na época de 15 pessoas, e eles levaram para o Refúgio cerca de 20 plebeus.
Conforme o tempo foi passando e com a reabertura das comunicações em 80 D.G. a pequena vila de Glenwood conseguiu
reavivar comunicações com a cidade de Phenixia e redondezas. Tendo, algo comum a todas as pequenas cidades Refúgios,
comidas em excesso a cidade de Glenwood teve bons retornos de suas vendas e trocas em Phenixia. Sendo tudo propriedade
da família Glenwood.
Com a volta das comunicações a família Glenwood pode também se relacionar com outras famílias Artífices e desta forma
manter casta a pureza de sangue da cidade. A família Glenwood sempre se mostrou empreendedora e conforme o tempo foi
passando mais e mais plebeus foram chamados para serem parte da cidade, contratados tanto para a agricultura quando
para novas empreitadas da família Glenwood como a criação de cavalos e Tuaregues.
Alguns Perdinazes também se mudaram para a cidade em sua maioria fazendo serviços a família Glenwood. Praticamente os
únicos Artífices da cidade são a família Glenwood e a estrutura política assemelha-se portanto a uma monarquia.
Personalidades: Talith Michael Glenwood - De pele avermelhada, cabelos louros e porte físico invejável para seus
78 anos, o Talith Michael (ou
Empressaro Michael, como prefere ser chamado) veste-se sempre com camisas xadrez,
botas e um grande chapéu com um símbolo de Iawë em ouro. É um homem forte e sério, e administra suas terras com mão-de-ferro.