O mercado estava um particular alvoroço aquela tarde. Estava um dia quente e o jovem Clistrius, nos
seus 15 anos de idade, estava ocupado, procurava a primeira oportunidade para bater carteiras, ele
gostava de se arriscar particularmente com os Artífices, estes sempre tinham bastante cobre e eram
pomposos o suficiente para abrir a guarda. Mas era uma atividade arriscada brincar com os Artífices
pois seus soldados costumavam serem extremamente violentos na procura pelos ladrões, o próprio
Clistrius já apanhara bastante mais de uma vez deles, mas aparentemente ele se recusava a aprender a
lição.
O grande domo cristalino se erguia aos céus, o sol refletia nele iluminando a cidade, o domo também
impedia que o corrupto céu enevoado entrasse na cidade. Um dos maiores castigos que os homens temiam,
Clistrius inclusive, era sair da Megas Drapenon, dizia-se que um mundo de corrupção e sujeira permeava
o mundo de fora.
Clistrius no entanto não era dado a ficar observando detalhes da cidade, em cima de um telhado ele
observava o mercado central da cidade e sua vida, mais ao norte uma grande construção de aço se erguia,
e dela saiam uma fumaça que era jogada para fora do domo, era a mina de cobre, onde muitos plebeus
trabalhavam, foi então que ele finalmente viu sua oportunidade. Uma mulher, provavelmente uma Artífice,
era gorda e desajeitada, passava em uma carruagem, na altura de sua cintura Clistrius observou por um
momento uma sacola, que ela escondeu com o movimento do sobretudo, não notara no entanto que o moleque
percebera seu segredo. Ela então desceu e chegou em frente à loja do velho Carlos, o mercador de
batatas, estava decidida a comprar algumas.
" Posso ajudá-la senhora? " disse Clistrius se aproximando cordialmente.
" Com o quê, garoto? " perguntou a mulher.
" Eu percebo que estás comprando sacos de batata. Se quiseres posso colocá-los todos em sua
carruagem... " Clistrius.
A mulher olhou séria para o garoto, em seguida deu um leve sorriso e disse:
" Tudo bem garotinho, venha, ajude-me a carregar isso... " disse a mulher.
Era de fato bem desajeitada a forma da mulher carregar o saco de batatas, ela logo se dispôs a falar
o que iria fazer e que pretendia realizar uma festa na sua casa situada nas Guaridas, e que alguns
artífices importantes lá estariam e todo tipo de conversa e papo que não interessava a Clistrius, ele
no entanto apenas sorria cordialmente e ajudava a carregar ainda mais sacos, quando já tinham colocado
todos os sacos na carruagem, Clistrius estava suado.
" Que bondade a sua garoto, tome... " disse a mulher, ela então abriu o sobretudo para pegar uma moeda
no bolso.
Foi então que a velocidade do garoto se mostrou, com uma adaga que caiu de seu braço ele rapidamente
cortou o cordão de ferro que prendia a sacola e com a outra mão pegou-a. A mulher tentou pegá-lo no
instinto mas não fora rápida o suficiente pois Clistrius já corria. A artífice gritava " Ladrão!
Ladrão! " e Clistrius pôde escutar passos de armadura chegando próximos ao local, sem dúvida guardas.
Seu coração parecia que ia estourar. Ele então olhou para o lado e percebeu um beco entre duas casas,
correndo ele rapidamente pulou e ao cair do outro lado achou um barril e aproveitando seu tamanho nele
entrou. Ofegante ele começou a tentar prender a respiração dentro do barril enquanto escutava os passos
da guarda se distanciando.
É... Mais um dia comum de Megas Drapenon...
Megas Drapenon é um Refúgio de um mundo devastado, um dos últimos lugares onde existe vida humana no
planeta de Khenart. Originalmente, o Refúgio constituía-se apenas da Guarida, uma cidade subterrânea
onde viviam os Artífices e demais pessoas que sobreviveram a Guerra de Iawë. Após algum tempo, imensos
Domos de Cristal foram erigidos sobre a Guarida, para que a crescente população pudesse ter onde viver,
e para que fosse possível ampliar a produção de alimentos, que tornava-se cada vez mais crucial.
Dentro dos Domos, é possível encontrar uma arquitetura diversa, com casas de madeira e pedra mescladas
com casas feitas de chapas metálicas, e algumas até feitas de um estranho material branco, que apenas
os Artífices conhecem. Campos gigantescos são uma paisagem também comum, bem como estranhos artefatos
que servem para irrigar estes campos, imensas varas apoiadas em rodas que de maneira incrível são
capazes de ampliar a produção de alimento, juntos dos fertilizantes produzidos no Grande Maquinário
pelos Artífices. Na região dos Domos vivem predominantemente os Plebeus, que são os principais
trabalhadores da sociedade.
Na Guarida encontram-se os Artífices e os Perdinazes, sendo estes os responsáveis pelo comércio da
cidade. Casas brancas magníficas preenchem o local, além de incríveis e altos pilares de pedra, que
sustentam a abóbada da Guarida. Magníficas decorações Amarelo-e-Preto adornam o topo e as bases desses
pilares, representando as cores dos Artífices, líderes da comunidade. Além destas casas, encontram-se
nas Guaridas locais de diversão coletiva, como o Coliseu, a Casa de Banhos e o Grande Mercado, que só
é vencido em tamanho pelo Mercado Central, localizado no Domo. Algumas estufas também pontilham o
lugar, produzindo ervas e alimento para a população mais abastada. Também é na Guarida que se encontram
a maior parte da Guarda do Refúgio.
O Refúgio possui atualmente uma população de quase trezentos mil habitantes, sendo a maior parte
constituída pelos Plebeus.
"Bahmat" - Palácio Sagrado dos Artífices
O "Bahmat", ou Palácio Sagrado dos Artífices, é uma das construções mais grandiosas de Megas Drapenon.
Encravada na abóbada da Guarida, o palácio tem uma visão privilegiada de toda a região subterrânea,
com gigantescas janelas de vidro que alteram sua cor e opacidade de acordo com as vontades do Talith.
As paredes do Palácio são completamente brancas, exceto pela parte inferior das mesmas, que possuem
desenhos Amarelo-e-Negro. Nenhum Plebeu jamais entrou no Palácio, mas o local é aberto para todos que
tem dinheiro suficiente para visitá-lo.
Em seu interior, magníficas obras de arte preenchem o lugar. Portas vermelhas corrediças dão acesso a
todas as áreas do complexo, e ilustrações mostram os Artífices e suas crenças como sendo a vida de
Megas Drapenon. Salas de jantar, locais de reunião e acomodações permeiam o lugar, mas apenas os mais
altos Presbíteros tem autorização para utilizá-los. No Palácio encontra-se uma das salas mais
importantes do Refúgio, a Sala do Talith, onde o Alto Presbítero recebe o Conselho para suas reuniões
e também preside julgamentos, quando necessário.
Acredita-se que além de todas as belezas, o local esconda uma poderosa arma que os Artífices
utilizariam no caso de rebeliões, mas isto é apenas um boato, desencorajado fortemente pelos
Presbíteros durante suas reuniões religiosas.
Coliseu Basair
Coliseu que se situa no oeste do Refúgio data sua construção no ano de 205 D.G. durante a regência de
Lorde Albus Basair. Diz-se que o coliseu foi criado logo após o Embate de 200 D.G. para divertir e
acalmar os plebeus, e de fato isso ocorreu. Dentre as atividades sempre relembradas pelos plebeus as
lutas no coliseu figuram entre as mais importantes.
A freqüência da utilidade do Coliseu depende do nível de rigidez do Senhor de Megas Drapenon,
usualmente, o governo de senhores mais moderados é caracterizado por uma menor utilização do coliseu,
ou seja, onde apenas os piores crimes são punidos com o destino de ter de ir lutar no Coliseu.
Senhores mais rígidos costumam punir os criminosos mesmo pelos crimes mais leves para irem lutar
no coliseu, crimes como roubo, vandalismo e até mesmo endividamento são motivos para homens irem
lutar no coliseu durante a regência de tais senhores.
O Coliseu foi construído sobre a estrutura de uma construção antiga dos Presbíteros, diz-se que
originalmente existia um campo verde no meio do Coliseu, mas hoje o centro do Coliseu é lama e areia.
Talvez um dos maiores feitos do povo de Megas Drapenon, o coliseu tem lugar para 15.000 pessoas e ele
é fechado por um gigantesco teto de vidro reforçado que é aberto ou fechado por mecanismo complexos
que apenas os Artífices parecem dominar.
Na lateral do Coliseu Basair se encontra uma estrutura sustentada que se eleva acima da platéia por
metros com uma escada que leva até ela, trata-se dos lugares dos Artífices, é onde eles se sentam
para assistirem as lutas no Coliseu.
Algumas raras vezes monstros do mundo de fora são capturados e trazidos para lutas no coliseu, mas
isto é algo extremamente difícil e raro de se ver visto a dificuldade e medo de viajantes de Megas
Drapenon saírem da cidade.
Esgotos de Megas Drapenon
Apesar de não ser uma estrutura muito conhecida e popular dentre os cidadãos de Megas Drapenon, a
realidade é que, dentre todas as construções realizadas pelos antigos Presbíteros os esgotos de
Megas Drapenon é algo surpreendente. Uma estrutura secular com centenas de túneis gigantescos que
se cruzam, estruturados por um conhecimento perdido nos dias de hoje, levam para além dos limites
da cidade a sujeira.
No entanto, as entradas para o esgoto são em sua maioria vigiadas e protegidas, sendo proibida a
entrada de comuns à tais áreas, (apesar de correr lendas na cidade sobre entradas secretas conhecidas
por Plebeus e Pertinazes). Muitas são as lendas que correm sobre os esgotos da cidade, diz-se existir
ali maquinário antigo e poderoso, controlado por magias incompreensíveis. Diz-se que o esgoto é casa
de criaturas ancestrais e abomináveis. Se tais lendas são verdadeiras ou não os Artífices não
respondem, o fato é que, todos sabem que sob as Guaridas de Megas Drapenon reside um sistema de
esgotos feito pelo antigos...
A Torre da Guarda
A única construção que se situa fora do grande Domo de Megas Drapenon. A Torre da Guarda foi levantada
na época do Lorde Albus Basair, no ano de 220 D.G. O objetivo era criar um local de visão privilegiada
no extremo oeste da cidade para que se pudesse observar qualquer perigo, ameaça ou movimento que se
aproximasse de Megas Drapenon. Levantada no cume do monte Iawëri, a Torre da Guarda é uma torre que
oito andares, levantadas com uma estrutura de Arquefortis e pedra. E lá ficam, sempre posicionados,
um destacamento da Guarda da Cidade.
No entanto os únicos movimentos já percebidos pelos vigias da Torre da Guarda eram o da caravana dos
mercadores retornando do comércio com os vilarejos do deserto, ainda assim, a Torre da Guarda é
bastante importante para os que tentam aproximar-se da cidade de Megas Drapenon pois ela é possível
de ser vista de dezenas de quilômetros de distância.
O Domo
O Refúgio de Megas Drapenon era dividido em duas partes principais - a Guarida, região subterrânea
onde ficavam os Artífices, o Grande Maquinário e todos que tinha dinheiro suficiente para conseguir
um pequeno pedaço de terra lá, e o Domo de Cristal, a região acima da Guarida.
Embora o fato de ser de cristal pudesse sugerir uma vida boa, um local claro e agradável, isto não
era, nem de longe, a verdade. O Domo Cristalino era simplesmente uma estrutura monumental, com mais
de três quilômetros de diâmetro e quase a metade disso de altura, construída pelos Artífices logo no
final da Grande Guerra para proteger os habitantes do Refúgio da natureza hostil, da atmosfera
venenosa e das criaturas terríveis que viviam espreitando no local.
Localizado num vale na encosta de duas montanhas, o Domo Cristalino erigia-se como um símbolo de
civilidade no meio da aridez do deserto de Megas Drapenon, quase como se fosse uma gota d'água
gigantesca, pronta para refrescar os viajantes necessitados.
Para acessar o Domo existem doze portões gigantescos, feitos inteiramente de Arquefortis. O portão
mais importante é o Acesso Dois, que leva em direção à Phenixia, um dos Refúgios próximos. Ainda
que fosse importante, não havia uma estrada ligando os dois Refúgios, pelo simples motivo de ser
impossível construir algo fora do Domo - ou a natureza iria destruir a construção em questão de
semanas, ou todos os trabalhadores seriam mortos no processo.
Logo além do Acesso Dois estava a Cidade Velha, com suas construções brancas e seus gramados
bem-aparados. A Cidade Velha era um dos bairros mais antigos de Megas Drapenon, e era neste bairro
que se encontrava a entrada para a Guarida. Também era neste bairro que se encontrava a Sede da Guarda
do Domo, com suas torretas erigindo-se à grandes alturas, com estranhos espigões à mostra em suas
ranhuras. Os Artífices sempre disseram que os espigões eram o símbolo da força dos Guardas, mas,
além de servirem para decorar as torretas, não pareciam ter qualquer utilidade.
Além da Cidade Velha estavam as Barreiras do Domo Cristalino. Eram basicamente muralhas feitas do
mesmo material branco de que eram feitas as construções no local, e serviam basicamente para separar
o bairro do resto do Domo. Afinal, aquele era o último refúgio Artífice que existia fora da Guarida,
e precisava ser defendido dos Plebeus mais... rancorosos.
Passando as Barreiras, começava o Bairro Perdinaz. Aquele era um bairro grande e bem populoso, com
casas espaçosas e agradáveis. Muito do comércio local era tratado ali, e também era ali que ficava
o Mercado Central de Megas Drapenon. Claro, havia um Mercado também dentro da Guarida, mas ele não
era quase nada, se comparado com o Mercado Central, onde os milhares de Plebeus que viviam no Domo
compravam seus alimentos e seus suprimentos necessários.
Ao lado do Mercado Central localizava-se o Coliseu Basair, onde o povo costumava passar seus dias
livres observando os prisioneiros - e alguns Gladiadores profissionais - lutarem em busca de sua
liberdade. Haviam muitos Plebeus que eram contra aquelas lutas, dizendo que Ieshua as condenava,
mas a maioria da população gostava de ver os combates sangrentos, ainda que nem todos combate fosse
realmente até a morte.
Saindo do Bairro Perdinaz, o Domo começava a ficar complicado. As ruas eram estreitas e tortuosas,
grandes construções de três andares, e quase cem metros de lado, ocupavam grande parte do local. Estes
eram os Cortiços, onde viviam a maior parte dos Plebeus. Todo cortiço, sem exceção, era um local
fedido, sujo, apertado, onde mil ou mais pessoas eram obrigadas a viverem juntas, sem privacidade,
com pouca higiene e sem absolutamente nenhuma opção de lazer. Conforme os Artífices (e alguns
Perdinazes também) costumavam dizer, aqueles "Complexos Residenciais" eram nada mais que "Ninhos de
Ratos e Plebeus. Se bem que os dois são a mesma coisa."
Claro, não eram apenas os Cortiços que faziam parte do restante do Domo. Embora quase dois terços da
população vivesse em locais como aqueles, existiam também casas, mas a quantidade das mesmas variava
de acordo com os bairros.
A divisão dos bairros, a partir do Bairro dos Perdinazes, era muito confusa, existindo pelo menos
oitenta dos mesmos pelo Domo. Os mais importantes eram o Bairro Rhodes, onde viviam os artesãos locais
e encontrava-se ao extremo norte em relação ao Bairro Perdinaz, o Bairro Herodes, que era um dos mais
super-populosos e violentos, onde moravam os Mineiros de Titanis, o Bairro Cacisti, onde apenas negros
podiam ir com segurança e também onde existiam as melhores festas do Refúgio, o Bairro Millis,
conhecido por ser calmo, graças a sua população quase que exclusiva de Agricultores e o Bairro de
Sucré, onde viviam um grupo estranho, que falavam uma língua diferente da convencional de Megas
Drapenon.
No extremo leste do Domo Cristalino encontrava-se a Comunidade Tung, um dos poucos lugares calmos e
limpos do Domo. Lá viviam um povo pacífico, mas extremamente bem treinado, que cultuavam Xion. O povo daquela comunidade vivia em relativa harmonia com os demais membros do Refúgio, morando em casas com arquitetura diferenciada num sistema quase a parte do sistema do Refúgio. Os Artífices não viam com bons olhos esta comunidade, mas a deixavam quieta com medo de provocar os Perdinazes, que veriam mais uma chance de tentar revoltar-se em prol dos "desamparados". Era
um dos poucos lugares bons para se viver, mas era impossível entrar lá sem a aprovação de Xin Pwi
Tung, o líder da comunidade.
No extremo norte do Domo, entretanto, encontrava-se o Bairro Luthus. Quase ninguém vivia ali, pois
muitas engrenagens eram vistas, expostas, no local, e era simplesmente um lugar infernal. Claro,
TODOS os bairros tinham locais com engrenagens expostas e virando, mas elas normalmente ajudavam a
aquecer o Domo, ou levavam água para os moradores. Mas no Bairro Luthus, ninguém sabia para que elas
serviam...
Em todos os bairros era comum a existência de pelo menos uma sub-sede da Guilda de Megas Drapenon,
além de uma praça onde supostamente haveria lugar para o povo se divertir, e uma infinidade de
pequenas tavernas, que vendiam muita bebida ruim e onde a prostituição corria solta. Claro, todos
os bairros eram violentos e perigosos, mas era incomum as pessoas dos mesmos bairros se roubarem.
Eles se matavam, era verdade, mas fora isso todos pareciam se ajudar bastante. Os Perdinazes mais
"bondosos" costumam ver este comportamento como uma luz de Ieshua entre os Plebeus, enquanto os
Artífices consideram isso apenas como um meio dos Plebeus de desviarem-se da fúria de Iawë.
A vida no Domo era realmente difícil, mas ao menos era melhor do que viver FORA dele!
A Guarida
Logo após a última Barreira dos Domos Cristalinos encontrava-se a imensa entrada da Guarida, o refúgio
subterrâneo dos Artífices. Era incrível ver aquele portal feito de um estranho metal amarronzado,
pintado de amarelo-e-negro, com seus símbolos arcanos gravados em todos os lugares. Sobre o Portal,
visto apenas pelos mais corajosos que um dia decidiram escalá-lo, estavam os dizeres "ar 13 - Meg
Drapen". Ninguém realmente sabia o que isto significava, mas era obviamente algum tipo de aviso...
O poderoso portal da Guarida era sustentado por duas hastes metálicas imensas, que a seguravam numa
espécie de dobradiça. Conta-se que, em caso de necessidade, era possível selar aquele portal em
questão de segundos. Os Artífices não confirmavam a história, mas tampouco a negavam. Alguns
Estudiosos, contudo, afirmavam que o boato era verdadeiro, e que isto já havia sido feito durante
o Conflito dos Perdinazes.
Logo além do grande portal, havia duas torres de vigília. Uma guarnição de pelo menos quatro homens
ficavam postados em cada um, durante o dia todo. Após as torres, que tinham pouco mais de dois metros
de altura, vinham as poderosas escadas de Megas Drapenon, e o Corredor Cintilante, que dava acesso
à Guarida. O Corredor tinha este nome pois centenas de pequenas esferas de vidro de cores diferentes
estavam fixadas no teto e no chão, sem qualquer motivo aparente que não o de servir como decoração.
Pouco antes de chegar ao Pátio da Guarida, uma vala de cerca de dois palmos de comprimento cortavam
o corredor até o qual as escadas levavam. Os Artífices diziam que aquela vala era um sinal, que
representava a divisão entre seu poder e o poder da Plebe, colocando cada um em seu devido lugar
e também simbolizando a participação que os Plebeus e Perdinazes tinham dentro de Megas Drapenon.
Como em quase todos os outros lugares, o símbolo Amarelo-e-Vermelho dos Artífices ladeava a vala,
mostrando o fato puro e simples - a Guarida era dos Artífices, e por mais que eles dissessem que os
Plebeus tinham lugar ali, isto não era verdade.
Saindo do Corredor Cintilante desvelava-se o Pátio da Guarida. Qualquer visitante imediatamente
sentia a imensidão de Megas Drapenon, com suas centenas de ruas absurdamente retas e simétricas,
suas milhares de pequenas casas brancas e, acima de tudo, como que flutuando no teto da Guarida,
a grande e poderosa "Bahmat", o palácio máximo dos Artífices, e lar do Talith. Era incrível ver
as diversas colunas que suportavam a abóbada do local, escavada na rocha resistente da região de
Megas Drapenon. Afinal, Megas localizava-se no vale formado entre duas montanhas, Iawëri e Kippur,
uma região privilegiada tanto por sua localização segura quanto por suas reservas minerais ricas.
Poucos passos além da vala, estava o Grande Maquinário, que erigia-se para além da rocha, e para além
do Domo de Cristal. Milhares de Plebeus, além de alguns poucos Perdinazes, trabalhavam no local.
Ninguém sabia realmente como aquele monstro funcionava, feito por engrenagens e estranhas alavancas
que moviam-se quase como se tivessem vontade própria. Estranhos instrumentos também povoavam o local,
mostrando números que apenas os Plebeus mais bem treinados eram capazes de interpretar. Entretanto,
todos sabiam como o Grande Maquinário era importante. Afinal, era naquele local que muitos dos
minérios eram misteriosamente processados, o calor para aquecer o Refúgio era gerado, tecidos eram
produzidos, a água era bombeada e armas eram forjadas. Se não fosse pelo Grande Maquinário, Megas
Drapenon seria apenas uma ruína agora.
Atravessando a Avenida dos Artífices, estava o Mercado Central. Aquele era um local magnífico,
com centenas de pequenas bancas que vendiam os mais diversos itens, incluindo alimentos, armas,
artigos de luxo, artes, pequenos itens que eram considerados "encantados" pelos Plebeus - como
estranhos fachos de luz que podiam iluminar locais pequenos, livros, pergaminhos, papéis, roupas
e muitos, muitos outros itens.
Também na região do Mercado Central encontram-se dezenas de casas de diversão e descanso. Todas
tem uma arquitetura muito semelhante - são de cor mais avermelhada, com portas ovais e tem um
palanque central onde realizam-se eventos culturais diversos, como danças e apresentações
teatrais, além de uma área reservada para o consumo de bebidas.
Próxima do Mercado Central encontra-se a Praça Central, um local animado onde as pessoas se
reúnem após seus dias cansativos de trabalho para relaxar e divertir-se de maneira mais "física".
É na Praça Central que encontram-se diversas áreas de lazer, como quadras para a prática da "queimada"
e do arremesso de dardo, bem como um complexo para esportes como corrida e arremesso de peso.
Logo além do Mercado Central começava a região das Casas dos Perdinazes. Como todas as casas dentro
da Guarida, elas eram brancas e simétricas, mas não muito grandes. O local era muito bem guardado,
e haviam centenas de pequenas lojas dos artesãos Perdinazes. Quase todo Perdinaz tinha uma loja
no andar térreo de sua casa.
Passada a região das casas encontrava-se uma das maiores construções de Megas Drapenon, a Sede
das Guildas. Era nesta casa, feita de Lumenos polido, que os Perdinazes se reuniam com seus sócios
e também com os Artífices, para decidirem preços, comprarem matéria-prima que só os Artífices
forneciam, escolherem o que produzir e quem iria fazê-lo. Poucos tinham direito de entrar naquela
casa, que opunha-se quase que opressivamente acima dos demais edifícios.
No fundo da Guarida, protegida por uma muralha de pedra construída há menos de cinqüenta anos
encontrava-se o Bairro Artífice. Ali, as casas eram grandes e espaçosas, guardas pessoais
patrulhavam as ruas, esculturas e fontes preenchiam o lugar e até mesmo um Museu dava aos Artífices
um local de descanso e de maravilhas que ninguém mais tinha. Somente convidados podiam penetrar
as muralhas deste bairro, e poucos o eram.
Num outro canto da Guarida encontravam-se centenas, senão milhares, de pequenas estufas, todas
elas cintilantes e belas, que serviam para produzir grande parte do alimento do Refúgio. Como
tudo mais em Megas Drapenon, aquilo também era propriedade dos Artífices. Muitos trabalhavam lá,
cuidando das plantas, e outros muitos trabalhavam ao redor, transportando o alimento até o Grande
Maquinário ou servindo de guarda na região.
Também era dentro da Guarida que encontravam-se as entradas para as Minas. Estas eram realmente
discrepantes com o resto do local - eram sujas e abarrotadas de pessoas, principalmente plebeus,
que entravam e saiam de lá. Quase mil guardas permaneciam no local, garantindo que nada saísse
errado.
Somente alguns poucos privilegiados viviam neste local, que era quase sagrado. Mas mesmo aqui a
violência existia. Claro, os Artífices estavam protegidos. Mas até quando? E a que preço?
Talith Salyr Nadir, 78 anos, o velho sábio. Salyr Nadir tem olhos escuros e cabelos e barbas
brancas, veste a vestimenta de Presbítero-Mor de Megas Drapenon que trata-se de um robe negro com
detalhes em dourado, que fica sobre sua armadura de cota de malha, feita de material totalmente
branco, conhecido como "arquefortis". Também tem uma coroa dourada, que por ser ouro é uma relíquia
de valor inestimável.. Também carrega o cetro dos Presbíteros que é um cetro negro com um rubi
na ponta.
Youm Jacoly Basair, 40 anos, considerado o maior opositor de Salyr e também de sua família, a
família Basair tem um riqueza considerável visto seu monopólio sobre as pedreiras e seu
empreendedorismo para com lutas do coliseu. O que lhe dá uma posição política confortável visto
que a cidade precisa constantemente comprar pedras do mesmo. Jacoly tem repúdio dos plebeus e
costuma explorá-los consideravelmente na extração de pedra. Seu poder político considerável lhe
coloca entre muitas famílias de Artífices como o provável escolhido pelo Círculo dos Presbíteros
para chefiar Megas Drapenon após Aruk Salyr. A família Basair é extremamente favorável à lutas no
Coliseu visto seu tino para tais negócios.
Tahma Basair, 25 anos, é a filha mais velha de Jacoly Basair. Ela é uma garota adorável, mas de
temperamento irascível, conhecida por seus cabelos vermelhos e por seu temperamento fogoso. Sempre
vestida em uma armadura de escamas muito brilhante e leve, é considerada a maior aventureira de Megas
Drapenon. Seu pai a repudia constantemente, mas ela possui considerável amizade dentro do Círculo dos
Presbíteros.
Eiru Badana Ellarin, 33 anos, é o mercador mais influente do Refúgio, e líder da Guilda dos
Pertinazes e Aprendizes. Um homem forte, sempre vestindo cores vivas e um estranho adereço de
cabeça, Eiru é temido por muitos por ser um seguidor aberto de Hallah e defensor de valores que
já são considerados ultrapassados por muitos. Acredita-se que ele seja um mago escondido, mas ninguém
jamais provou isso.
Xin Pwi Tung, 88 anos, um dos poucos sacerdotes de Xion do Refúgio e líder da pequena comunidade
dos Plebeus de Tung. Ele tem olhos amendoados, pele amarelada e é careca, tendo uma grande barba
branca, muito longa e lisa. Ainda que seja um dos mais velhos da cidade, aparenta o vigor físico de
um jovem de 20 anos.
Youm Jurain Myrtus, o general da Guarda. Tem 40 anos e possui olhos castanhos e cabelos negros já
grisalhos, sua pele é levemente bronzeada e uma pequena cicatriz corta-lhe na altura do olho esquerdo,
ainda que o olho não seja cego. Um homem forte e destemido, no auge de sua maturidade. Youm Jurain
entrou na Guarda quando tinha apenas 20 anos e sempre dedicou sua vida à proteção e aplicação da lei
e da ordem. Extremamente rígido, muitas vezes suas medidas são vistas como autoritárias, mas ainda
assim ele tem a fama de tentar ser justo, o que agrada bastante o atual Talith.
Lex Baudalaire, 31 anos, é uma das maiores personalidades de Megas Drapenon, conhecido por
absolutamente todos do Refúgio. E não é para menos. Baudalaire é um nome conhecido por sua opulência,
competência e por serem os maiores entusiastas das artes do Refúgio. Lex é um artista, que além de
ser o dono da Casa de Espetáculos e Diversões Baudalaire, apresenta o famoso show "Molequitas", onde
quase vinte garotas semi-nuas desfilam e fazem peripécias incríveis. Ele também tem uma fama um pouco
mais sombria que esta - dizem que ele é um dos chefões do crime de Megas Drapenon, mas ninguém ousa
dizer isto em voz alta.
A história de Megas Drapenon é contada pelos Artífices e seu calendário, assim como o de todos os
outros povos, baseia no calendário da guerra mágica. Onde D.G. significa Depois da Guerra. Quanto
à guerra os Presbíteros contam que foi iniciada devido ao fato do homem ter corrompido e utilizado
o profano conhecimento mágico, e devido a isso o deus Iawë lançou uma maldição sobre o mundo para
punir os homens por seus pecados. Aos Presbíteros, fiéis de Iawë, foi dado o conhecimento para
salvar a humanidade, e assim foi que eles o fizeram.
Megas Drapenon data suas origens a 380 anos, pela contagem dos Presbíteros. Pelo que se sabe, os
Presbíteros guiaram o povo para o Refúgio, em busca de refúgio, no momento em que Iawë punia os
homens, e foi lá que eles conseguiram garantir que a humanidade sobrevivesse. Desde esse dia Megas
Drapenon, e todas as cidades receberam o nome de Refúgios.
Os antigos Presbíteros ergueram praticamente toda a estrutura de Megas Drapenon que sobrevive até os
dias atuais. Eles ergueram o grande domo de vidro, construíram a grande estufa, e fizeram os
alicerces das minas. Pelo que se sabe, originalmente Megas Drapenon era habitada apenas nas Guaridas
dos Artífices, e durante anos isso perdurou.
Porém, com o aumento da população cada vez mais homens passaram a habitar na superfície. Apesar de
ser um processo lento e gradual foi em 200 D.G. que o conflito definitivo se mostrou, quando plebeus
e pertinazes revoltosos se recusavam a sair das Guaridas e daí os Artífices os expulsaram para a
superfície, com a ameaça de serem expulsos dos Refúgios e serem obrigados a irem para as terras de
fora caso não aceitassem. E desde então os Artífices e apenas os Artífices passaram a viverem nas
Guaridas, o resto do povo passou a viver na grande superfície, sob a proteção do grande Domo. Este
evento foi conhecido como o Embate dos nobres. Os Artífices não costumam relatar os números e
crueldades que ocorreram neste embate, mas diz-se entre os populares que milhares de homens foram
mortos e muitas famílias, especialmente entre os Pertinazes, guardam ressentimentos contra os
Artífices desde então.
Logo após o Embate dos nobres, o Artífice da época Talith Albus Basair estava enfrentando ainda muito
descontentamento da população mais pobre de Megas Drapenon e sua solução para a manutenção estável de
seu poder foi construir o Coliseu Basair, que acabou acalmando os ânimos da população logo após sua
inauguração em 205 D.G.
Com o tempo o Refúgio foi crescendo e se tornando mais viva e poderosa, a marginalidade no Refúgio
aumentou dizendo-se existir até mesmo uma guilda cruel de assassinos que seguem a Luxcifor, o deus
negro, a Guarda Artífice também teve de aumentar seu corpo para combater a criminalidade, o mercado
central se tornou o principal ponto comercial do Refúgio e pelo menos trezentas mil pessoas vivem
hoje no ano de 380 D.G. no Refúgio de Megas Drapenon. Há 15 anos o Refúgio vive sob a regência do
Talith Artífice Salyr Nadir, um dos mais respeitados e sábios patriarcas de uma das famílias mais
poderosas do Refúgio. Ele é conhecido por seu senso de justiça e por suas tentativas de diminuírem
a marginalidade do Refúgio tentando criar comércio e desenvolvimento. Porém a forma moderada com que
ele trata os plebeus gera desconforto entre várias famílias dos Artífices que desejam um maior
controle e rigidez sobre o povo.
A sociedade de Megas Drapenon é baseada nos três grupos básicos, sendo que na verdade, eles REPRESENTAM esta estrutura.
Em Megas Drapenon, Artífices são os líderes absolutos, dominando sobre todos com seus desejos, com sua religião que segue
Iawë e com seu poder militar. Isso torna de um Artífice homens acima dos outros, e normalmente eles se vêem mesmo
como separados da "plebe", sendo que muitos são absurdamente arrogantes e pedantes.
Os Perdinazes, por sua vez, tem uma percepção do mundo um pouco diferente dos Artífices. Embora muitos tenham quase tanto
dinheiro quanto os próprios, eles costumam se ver como mais próximos do povo, pois eles sabem que não são os donos
do Grande Maquinário nem de nenhum outro meio de produção considerável. Claro, eles ainda se vêem separados, superiores
aos Plebeus, mas esta visão tende a ser bem menos pronunciada do que no caso dos Artífices.
Política
A estrutura política de Megas Drapenon é relativamente simples. Os Artífices parecem de alguma forma
terem conceitos avançados de estado e cidade, e por sua vez Aplicam-nos com eles mesmos. Existe um
Conselho de Presbíteros, que são Presbíteros eleitos pelos votos dos Artífices, e a este Conselho
caberá o poder Legislativo.
O poder executivo e judiciário cabe ao Senhor do Refúgio, que é eleito também pelos Artífices, porém
ele tem mandado por toda a vida. Muito especula-se que após Salyr será Youm Jacoly o Presbítero a ter
a maior quantidade de votos.
A segurança e leis são portanto prerrogativa do Senhor do Refúgio, ou Talith. E ele que gerencia tanto
a parte econômica do Refúgio quanto todo o seu poderio militar. Os Guardas do Refúgio são oficialmente
Guardas do Talith e são eles que garantem que as leis sejam cumpridas.
Usualmente os julgamentos são realizados por Presbíteros indicados pelo Talith, porém, os casos mais
sérios e alarmantes são julgados pelo próprio Talith (usualmente crimes causados PELOS Artífices e
em especial CONTRA outro Artífice).
A economia de Megas Drapenon é complexa e cheia de nuances, devido ao total controle da mesma pelos
Artífices. No entanto, ela possui um formato muito semelhante ao Capitalismo. Os Artífices são os
donos de praticamente todos os meios de produção, desde os campos sob as redomas e às Estufas onde
a comida é cultivada, até os Grandes Maquinários, que são utilizados de maneira não-compreensível
pelos demais habitantes do Refúgio, para produzir comida processada, armas, fertilizantes, tecidos
e itens metálicos. Diferentemente de uma economia medieval clássica, em Megas Drapenon todos são
assalariados. Os Plebeus trabalham durante mais de 72 horas semanais para receber um parco salário,
enquanto Perdinazes, que trabalham com o comércio local, trabalham um período menor, e também possuem
maior riqueza.
Caravanas costumam sair de Megas Drapenon e viajar até pequenos Refúgios próximos, trocando itens de
metal produzidos por comida, uma das poucas coisas que não são produzidas em quantidade satisfatória
no Refúgio. Estas caravanas são vistas como temerosas, pois desafiam a natureza selvagem do exterior
para conseguir comerciar, sendo portanto financiada apenas por homens de grande poder. Raramente
Artífices financiam caravanas, mas os Perdinazes mais ricos costumam fazê-lo.
A moeda corrente de Megas Drapenon é o Cobre, sendo que os Plebeus costumam receber três moedas de
cobre por semana, sendo o suficiente para comprar comida e pagar impostos. Outras moedas também
existem, sendo a moeda de Mollis a divisão inferior da de Cobre, com valor igual a 1/10 da mesma e
a moeda de Lumenus a moeda de valor superior à de Cobre, valendo 10 vezes mais que a mesma.
1 Moeda de Lumenus -> 10 Moedas de Cobre -> 100 Moedas de Mollis
O padrão econômico de Megas Drapenon é a base da economia de Khenart. Claro, cada Refúgio tem características
diferentes para sua economia, como moedas próprias - dizem-se que em Dalai, um refúgio próximo de Phenixia
as pessoas usam moedas de Arquefortis, que valem dez vezes mais do que as moedas de Lumenos!
Os utensílios de Megas Drapenon seguem um padrão próprio, sendo que a maior parte deles é feita de aço ou de mollis.
Toda casa tem pelo menos um pequeno jogo de garfos e outros talheres, além de jogos de prato, que são feitos também
de metais. Claro, as casas dos Artífices são muito mais equipadas, mas até mesmo o mais pobre Plebeu tem chances
de comprar seus próprios bens. Afinal, o Grande Maquinário produz sem parar, e alguém precisa consumir os bens que os
Artífices produzem!
O padrão de vestuário em Megas Drapenon é bem variado. Plebeus costuam vestir-se de marrom ou cinza, com roupas simples,
feitas normalmente de um estranho tecido produzido no Grande Maquinário. Perdinazes, por sua vez, vestem-se de azul e
amarelo, incluíndo também outras cores. Suas roupas costumam ser de algodão ou até mesmo de seda, que é bem mais confortável.
Já os Artífices vestem longos robes e outros trajes do gênero, sempre Amarelo-e-Negro. Seu tecido é especial, chamado
Keshn, sendo completamente opaco, mas ao mesmo tempo parecendo possuir um brilho especial. Somente Artífices podem
utilizar este tecido, que é considerado sagrado.